Lula vs. Congresso: a guerra fiscal que ameaça a reeleição em 2026
Um terceiro mandato marcado pelo confronto
A relação entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional virou tema de pesquisa, e os números são alarmantes para o governo. Segundo levantamento do Datafolha, 70% da população avalia que Executivo e Legislativo mantêm uma relação mais de embate do que de colaboração, enquanto apenas 20% enxergam predominância de cooperação entre os dois Poderes.
O resultado reflete uma sequência de derrotas e tensões acumuladas ao longo do mandato, que se intensificaram justamente no ano eleitoral.
A derrota histórica no STF e o racha com o Senado
Um dos episódios mais marcantes ocorreu no fim de abril, quando o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, derrota considerada histórica por integrantes do próprio Palácio do Planalto.
Mesmo com a liberação de R$ 10,9 bilhões em emendas parlamentares como estratégia para garantir apoio, o Planalto não conseguiu segurar a base aliada, expondo fragilidades na relação com o Legislativo.
Neste ano, o Senado também derrubou o veto presidencial à lei que reduziu penas de condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro, episódio que ampliou a crise política entre o Palácio do Planalto e setores do Centrão, diante da percepção de que o governo perdeu capacidade de articulação junto às lideranças parlamentares.
A batalha das emendas e o bloqueio bilionário
No centro do conflito está o orçamento. Lula chegou a afirmar publicamente que o “Congresso Nacional sequestrar 50% do Orçamento da União é um grave erro histórico”.
A resposta do governo veio com cortes. Em decreto publicado no dia 29 de maio de 2026, o governo detalhou o bloqueio de R$ 23,7 bilhões no Orçamento, medida adotada para cumprir as regras do arcabouço fiscal. A contenção alcançou também cerca de R$ 4,9 bilhões em emendas parlamentares de bancada.
Entre os ministérios mais afetados estão Defesa, Cidades e Educação, além de áreas como Transportes, Fazenda, Saúde e Integração Regional. A decisão foi motivada pelo aumento relevante das despesas com benefícios previdenciários e com o Benefício de Prestação Continuada, que por terem caráter obrigatório forçaram a redução dos investimentos discricionários.
Vitórias no meio do turbilhão
Apesar dos reveses, o governo conseguiu avançar em algumas frentes estratégicas. Entre as conquistas estão a aprovação da reforma tributária e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil mensais. Além disso, o Palácio do Planalto fechou acordo com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para avançar na tramitação da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, considerada prioridade eleitoral do PT para a campanha presidencial.
O custo político às vésperas das eleições
O impasse deve persistir, paralisando votações importantes, pois a campanha eleitoral já se impõe sobre as prioridades do governo e do Parlamento. Com Lula buscando o quarto mandato e o Congresso cada vez mais focado nas eleições de outubro, a margem para negociações se estreita e cada derrota legislativa se transforma em munição para a oposição.
O cenário coloca o governo diante de um dilema clássico: ceder nas contas públicas para comprar apoio político, ou manter o rigor fiscal e enfrentar um Congresso cada vez menos disposto a colaborar.

Publicar comentário